A Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo (FAABA) considerou hoje "insuficientes" os 25 milhões de euros disponibilizados pelo Governo aos produtores pecuários afectados pela seca e pela febre catarral, classificando-os de "mera propaganda eleitoral".
A Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo (FAABA) considerou hoje "insuficientes" os 25 milhões de euros disponibilizados pelo Governo aos produtores pecuários afectados pela seca e pela febre catarral, classificando-os de "mera propaganda eleitoral".
Em declarações à Agência Lusa, Manuel Castro e Brito, presidente da FAABA, garantiu que o "pacote" de ajudas que o Ministério da Agricultura começou hoje a distribuir aos produtores é "manifestamente insuficiente", sobretudo atendendo à "seca extrema que afecta o Baixo Alentejo".
"Desses 25 milhões de euros, só uns 10 a 15 milhões é que são para ajudas directas para a alimentação dos animais, devido à seca e o restante é para a campanha de vacinação da febre catarral (ou Língua Azul). Ora, os agricultores não podem estar contentes", disse.
O ministério da Agricultura, Pescas e Florestas anunciou que, a partir de hoje, começam a ser distribuídos os cerca de 25 milhões de euros aos produtores cujos animais foram afectados pela seca e pela febre catarral.
Segundo Castro e Brito, no que concerne à produção animal, as verbas a disponibilizar aos agricultores vão dar para "pagar um mês de alimentação a uma ovelha e a uma vaca".
"O Governo alargou estas ajudas para alimentar os animais a toda a área afectada pela 'Língua Azul', desde a Beira Baixa ao Algarve. É lógico que este dinheiro, distribuído por cada agricultor, não dá para alimentar todo o efectivo pecuário e vai durar apenas um mês", frisou.
A FAABA pretende, após as eleições de 20 de Fevereiro, agendar uma data para se deslocar a Bruxelas, para tentar sensibilizar a Comissão Europeia para "a situação desesperada que se vive" na região alentejana, devido à seca.
"Até às eleições não vale a pena porque, agora, tudo isto é só política. Estas medidas do Ministério são apenas propaganda com fins eleitoralistas", argumentou, lembrando que o ministro Costa Neves é o candidato do PSD pelo círculo de Portalegre.
Quanto aos apoios para a vacinação dos ovinos e caprinos afectados pela "Língua Azul", Castro e Brito também os considerou "insuficientes", frisando que os Agrupamentos de Defesa Sanitária (ADS) vão ter que "inventar o resto do dinheiro necessário, para não sobrecarregar mais os produtores".
"Temos que ir buscar a vacina a Lisboa, arranjar veterinários, pagar transportes, entre outras despesas. O Estado não vai pagar tudo, o que penaliza os produtores, numa altura em que a seca e os preços de mercado já causaram prejuízos irrecuperáveis", afirmou.
Estas mesmas críticas tinham já sido avançadas, esta semana, pela União dos ADS do Alentejo - englobam 1,5 milhões de ovinos e 400 mil vacas -, que concordou iniciar a campanha de vacinação mas condenou a "não assumpção do pagamento integral por parte do Estado das acções de controlo e erradicação da doença".
"Estas organizações de produtores têm sido sistematicamente penalizadas na distribuição do orçamento nacional previsto para a sanidade animal, comparativamente a ADS do Norte do País. Se calhar, é por o Alentejo não representar muitos votos", ironizou Castro e Brito.
In Lusa










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